Há pouco mais de três meses começamos a ler manchetes sobre o colapso do sistema financeiro global, sobre o crash da Islândia e das montadoras e sobre a retração do crédito e a desaceleração do consumo. São essas duas últimas, em especial, que acenderam as luzes de emergência dos políticos e empresários brasileiros e vêm fazendo todo mundo pisar no freio e se perguntar “o que eu faço?”.
Desde que a crise explodiu, institutos de pesquisa, agências, empresas e instituições de classe vêm monitorando o seu impacto na cabeça e no comportamento do consumidor. Todos os estudos são unânimes: quase todo mundo ouviu falar de crise, mas a verdade é que poucas pessoas sentiram seus efeitos na prática. Ao contrário do clima de pânico generalizado que se espalha no mundo corporativo, nas ruas a situação está bem mais calma. Mas isso não quer dizer que tudo está bem.
Apesar de ainda não ter pesado no bolso do consumidor – ela vai pesar quando os reflexos afetarem para valer o poder de compra ou o nível de emprego – a crise já está instalada na cabeça das pessoas. E isso também tem o seu preço.
O principal problema de uma crise é que ela bagunça os nossos referenciais. Não importa se é uma crise pessoal ou se é uma crise mundial – quando tem crise, não dá para confiar no que a gente conhece. Começamos a avaliar com cuidado coisas que antes faríamos sem pensar. Ficamos mais atentos. Passamos a tomar mais cuidado e nos tornamos consumidores mais espertos para nos protegermos das incertezas.
O resultado é que a vontade de comprar dos brasileiros, que vinha em ritmo de F1, está desacelerando rapidamente.
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