Imagine um time de futebol composto por jogadores experientes e ganhando por 2×0 aos 43 minutos do segundo tempo.

Agora imagine um time de jovens promessas, com toda vontade de garantir um futuro promissor, empatando por 0×0 uma partida que apenas inicia.

Colocar-se no lugar destes personagens é compreender porque existem conflitos de gerações em empresas familiares. Há objetivos diferentes para a execução do mesmo trabalho.

Trazendo estes dois estereótipos para o mundo empresarial, pode-se dizer que os conceitos de hierarquia, obediência, e a visão de mundo dos dois grupos por vezes não são os mesmos. Isto simplesmente por terem vivido momentos econômicos e culturais diferentes.

Se bem administrado, este conflito é salutar e propicia o crescimento da empresa.

Os veteranos auxiliam a frear o imediatismo e a ansiedade os jovens, que desejam resultado e reconhecimento num piscar de olhos. É comum o jovem subestimar a experiência como condição obrigatória.

Já os jovens têm o papel de abrir os lhos dos veteranos à renovação que faz o negócio se manter vivo no mercado. Em alguns casos os jovens conseguem, a muito custo, fazer com que os veteranos “soltem o freio-de-mão” e vejam novamente o crescimento como imprescindível.

É necessário que o empresário olhe seu filho como um colaborador igual aos outros, o cobre e o respeite como tal. Não pode olhar eternamente como o bebê que parece nunca crescer e não terá a mesma capacidade para tocar os negócios. Da mesma forma o empresário não pode ser um pai-coruja e achar que seu filho é a criatura mais talentosa do mundo (quando muitas vezes não é).

Quem tem mais experiência quer poupar seu negócio de riscos já vividos e vencidos. Muitas vezes não consegue ver que está em um contexto diferente, que os tempos são outros e que seus sucessores podem escolher caminhos distintos e chegar a melhores resultados.

Um negócio não alcança o sucesso por acaso e com toda certeza sua trajetória, estratégia e cultura precisam ser respeitadas. Cabe ao jovem ver e compreender tudo isto. Questionar é o seu papel para que possa alertar todos sobre as mudanças e tendências, sem esquecer que ainda é jovem, está em um ambiente com uma história e tem toda uma partida para jogar.

Conflitos empresariais, não só de gerações, sempre existirão e é necessária uma boa dose de parcimônia quanto à imposição de opinião ou abertura de concessões. Bom senso e empatia podem auxiliar na tomada de decisões que tragam maior sustentabilidade ao negócio.

Leia mais e comente este texto de Marco Murara no Blog Sebrae Pernambuco.

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